terça-feira, 11 de março de 2008

O TEXTO DE TELEVISÃO por Dulcinéia Novaes



Devemos apontar logo de início algumas diferenças básicas entre a construção da notícia para o jornalismo impresso e a construção da notícia para o jornalismo de televisão.
No impresso temos texto e fotografia. Em televisão, o texto é para ser falado e utiliza o recurso da imagem em movimento.É o texto casado com a imagem.

No impresso, cinco minutos de conversa com o entrevistado e um registro fotográfico podem resultar num perfil de meia-página. Em televisão cinco minutos de conversa e cinco minutos de imagens de apoio devem ser convertidos em um fato sintetizado em 40 segundos ou um minuto, dependendo do tempo disponível na estrutura do telejornal.

Mas há um detalhe histórico comum aos dois meios de comunicação, quanto à estruturação formal da notícia: a famosa e já velha conhecida “pirâmide invertida”. Por mais que o jornalismo se modernize, o lead ou lide formato tão difundido que virou regra geral em meados do século XX, acaba sendo um dos modos mais corriqueiros de se estruturar uma notícia, seja no rádio, na televisão, no jornal ou na internet. Nas reportagens factuais - aquelas que reproduzem as notícias do dia, que devem ser veiculadas de imediato ou perdem a atualidade – as informações mais importantes, de impacto, que atraem a atenção do telespectador e facilitam a compreensão do episódio, surgem no começo da narração do repórter. Na seqüência virão as informações de menor importância.

E a exemplo do que ocorre no jornalismo impresso, também no noticiário de televisão procura-se responder àquelas perguntinhas clássicas, que todo aluno de jornalismo aprende quando tem contato com o “beabá” da notícia: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê?Depois, as informações complementares que compõem a estrutura do texto.

O começo da notícia deve ter um bom gancho, ou como se costuma dizer na gíria, uma boa “pegada”.

O texto de televisão deve ser claro, objetivo, ter frases curtas. Deve-se evitar o uso de palavras difíceis. Quanto mais simples, melhor. E durante a narração do texto ( em off), recomenda-se um tom o mais coloquial possível. Da mesma forma o repórter deve buscar uma postura natural, no momento em que ele aparece no vídeo dando informações relevantes do fato. É o que denominamos de passagem. É a assinatura do repórter. Não podemos esquecer que as imagens ajudam a ilustrar e a dar entendimento ao fato. Televisão é imagem.

E como vale a velha máxima de que o repórter é um contador de histórias, pergunte-se sempre: como eu contaria este fato para o meu melhor amigo? Para a minha família, para a minha vizinha? Contei uma história com começo , meio e fim? Respondi às perguntas que eu gostaria de ver respondidas? O que as pessoas gostariam de saber a respeito deste fato?Pergunte-se e questione. Sempre!

Dulcinéia Novaes é jornalista, mestre em Comunicação e Linguagens, repórter da Rede Globo de Televisão e professora do curso de Jornalismo da Unibrasil.

* A professora Dulcinéia é entrevistada no episódio 1 do Masterclasses Unibrasil.

Bibliografia indicada
Exemplares disponíveis na Biblioteca Helena Kolody (3o andar do Bloco 3):

PATERNOSTRO, Vera Íris. O texto na TV: Manual de Telejornalismo. RJ: Elsevier, 1999. (070.195 P295t)

BISTANE, Luciana. Jornalismo de TV. SP: Contexto, 2005. (070.195 B623j).

PEREIRA JÚNIOR, Alfredo Eurico Vizeu. Decidindo o que é notícia: os bastidores do telejornalismo. Porto Alegre: PUC, 2003 (070.19 P436d).

Nenhum comentário: