

Qualquer filme que seja realizado hoje, em pleno século 21, de alguma forma deve a dois diretores fundamentais na trajetória do cinema mundial: o letão Sergei Eisenstein e o norte-americano D. W. Griffith. Embora muito distintos entre si, tanto em suas ambições artísticas quanto ideológicas, esses cineastas legaram à posteridade obras-primas nas quais a linguagem cinematográfica encontrou caminhos que são trilhados até os dias atuais.
Nascido em 1898, ou há exatos 110 anos, Eisenstein era filho de um arquiteto e teve formação em Engenharia Civil antes de se envolver primeiro com as artes cênicas e, mais tarde, com o cinema. De sua inquietude quanto aos limites e às possibilidades de uma forma de expressão ainda em processo de formação, emergiu a Teoria da Montagem de Atrações, conseqüência de uma série de experimentações que já vinham sendo realizadas pelo cinema russo no início do século 20.
Segundo os conceitos formulados por Eisenstein, o impacto emocional do encadeamento dialético do significado individual de cada uma das imagens de uma seqüência em um filme seria muito maior do que a simples soma do valor individual de cada tomada. Alguns anos mais tarde, o diretor traçou paralelos entre suas formulações e a dialética do materialismo marxista, base filosófica da Revolução Bolchevique (1917) que deu origem à União Soviética.
Dividido em duas partes, Ivan, o Terrível (1944/45) é uma das últimas obras de Eisenstein
Eisenstein desejava fazer filmes destinados ao homem comum. Obras que falassem da importância do homem ser dono do próprio trabalho e pregassem a rebelião contra formas de opressão típicas de sociedades capitalistas, como a divisão da população em classes distintas. O intuito do cineasta, contudo, não foi atingido: seus filmes, apesar de belíssimos estéticamente, eram complexos demais para o cidadão comum, que não conseguia penetrar em sua linguagem marcada por metáforas políticas e mensagens subliminares.
Entre seus longa-metragens mais importantes estão A Greve(1924), O Encouraçado Potemkin (1925), Outubro (1927), Alexandre Nevski (1938) e Ivan, o Terrível (1944/45)
Griffith
O realizador norte-americano D. W. Griffith (1875– 1948) também fez uso da manipulação de montagem enquanto processo de significação para inovar a narrativa cinematográfica. Até seu surgimento, os filmes feitos nos Estados Unidos (e em grande parte do mundo) não passavam de peças de teatro filmadas, como os filmes de Méliès, ou simples reprodução de imagens, como é o caso dos primeiros filmes de Dziga Vertov, diretor do clássico documental O Homem com uma Câmera.
Entre os grandes legados de Griffith está o descobrimento (ou invenção) da possibilidade de entrelaçar vários fios narrativos simultâneos, para a construção de uma seqüência. O artifício foi posteriormente usado em larga escala por grandes diretores – de Alfred Hitchcock a Robert Altman.
Afeito a folhetins melodramáticos, gênero que dominou como poucos, Griffith encontrou sua musa em Lillian Gish, estrela de Lírio Partido (1919), um terno e trágico conto de amor inter-racial e sofrimento que narra o romance místico entre uma jovem abandonada nos bairros de Londres (Gish) e um rapaz chinês que viaja pela Inglaterra disseminando a filosofia oriental.
Com Gish, Griffith também fez seus filmes mais importantes: os épicos O Nascimento de uma Nação (1915) e Intolerância (1916). O primeiro, considerado um dos filmes mais racistas da história do cinema americano, conta a saga de duas famílias, uma do Norte e outra do Sul, em meio à Guerra Civil. Intolerância, por sua vez, é mais ambicioso ainda. Tem sua narrativa transcorrendo em quase 3 mil anos, com quatro histórias diferentes registrando a opressão através dos tempos.
Paulo Camargo é jornalista, mestre em Estudos sobre o Cinema pela University of Miami (Flórida – EUA), editor do Caderno G, do jornal Gazeta do Povo, e professor do curso de Jornalismo da Unibrasil.
Nascido em 1898, ou há exatos 110 anos, Eisenstein era filho de um arquiteto e teve formação em Engenharia Civil antes de se envolver primeiro com as artes cênicas e, mais tarde, com o cinema. De sua inquietude quanto aos limites e às possibilidades de uma forma de expressão ainda em processo de formação, emergiu a Teoria da Montagem de Atrações, conseqüência de uma série de experimentações que já vinham sendo realizadas pelo cinema russo no início do século 20.
Segundo os conceitos formulados por Eisenstein, o impacto emocional do encadeamento dialético do significado individual de cada uma das imagens de uma seqüência em um filme seria muito maior do que a simples soma do valor individual de cada tomada. Alguns anos mais tarde, o diretor traçou paralelos entre suas formulações e a dialética do materialismo marxista, base filosófica da Revolução Bolchevique (1917) que deu origem à União Soviética.
Dividido em duas partes, Ivan, o Terrível (1944/45) é uma das últimas obras de Eisenstein
Eisenstein desejava fazer filmes destinados ao homem comum. Obras que falassem da importância do homem ser dono do próprio trabalho e pregassem a rebelião contra formas de opressão típicas de sociedades capitalistas, como a divisão da população em classes distintas. O intuito do cineasta, contudo, não foi atingido: seus filmes, apesar de belíssimos estéticamente, eram complexos demais para o cidadão comum, que não conseguia penetrar em sua linguagem marcada por metáforas políticas e mensagens subliminares.
Entre seus longa-metragens mais importantes estão A Greve(1924), O Encouraçado Potemkin (1925), Outubro (1927), Alexandre Nevski (1938) e Ivan, o Terrível (1944/45)
Griffith
O realizador norte-americano D. W. Griffith (1875– 1948) também fez uso da manipulação de montagem enquanto processo de significação para inovar a narrativa cinematográfica. Até seu surgimento, os filmes feitos nos Estados Unidos (e em grande parte do mundo) não passavam de peças de teatro filmadas, como os filmes de Méliès, ou simples reprodução de imagens, como é o caso dos primeiros filmes de Dziga Vertov, diretor do clássico documental O Homem com uma Câmera.
Entre os grandes legados de Griffith está o descobrimento (ou invenção) da possibilidade de entrelaçar vários fios narrativos simultâneos, para a construção de uma seqüência. O artifício foi posteriormente usado em larga escala por grandes diretores – de Alfred Hitchcock a Robert Altman.
Afeito a folhetins melodramáticos, gênero que dominou como poucos, Griffith encontrou sua musa em Lillian Gish, estrela de Lírio Partido (1919), um terno e trágico conto de amor inter-racial e sofrimento que narra o romance místico entre uma jovem abandonada nos bairros de Londres (Gish) e um rapaz chinês que viaja pela Inglaterra disseminando a filosofia oriental.
Com Gish, Griffith também fez seus filmes mais importantes: os épicos O Nascimento de uma Nação (1915) e Intolerância (1916). O primeiro, considerado um dos filmes mais racistas da história do cinema americano, conta a saga de duas famílias, uma do Norte e outra do Sul, em meio à Guerra Civil. Intolerância, por sua vez, é mais ambicioso ainda. Tem sua narrativa transcorrendo em quase 3 mil anos, com quatro histórias diferentes registrando a opressão através dos tempos.
Paulo Camargo é jornalista, mestre em Estudos sobre o Cinema pela University of Miami (Flórida – EUA), editor do Caderno G, do jornal Gazeta do Povo, e professor do curso de Jornalismo da Unibrasil.
* O professor Paulo é entrevistado no episódio 1 do Masterclasses Unibrasil.
Bibliografia indicada
Exemplares disponíveis na Biblioteca Helena Kolody (3o andar do Bloco 3):
ARNHEIN, Rudolph. A arte do Cinema. Lisboa, Edições 70: 1996 (nas estantes da Biblioteca: 791.43 A748a).
EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. RJ: Jorge Zahar, 2002 (791.43 E36s).
MARCEL, Martin. A Linguagem cinematográfica. SP: Brasiliense, 1990. (791.43014 M382l).
ANDREW, James Dudley. As principais teorias do cinema. RJ: Jorge Zahar, 2002. (791.43 A562p).
LEONE, Eduardo. Cinema e montagem. SP: Ática, 1993. (086.9 P957).
PFROMM NETO. Samuel. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem: do cinema ao computador. Campinas: Alínea, 2001. (371.33 P531t).

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